Luanda: Engarrafamento infernal e muita gente caminhava a pé






















“Com esse engarrafamento infernal, a esta hora, com toda essa gente ao longo da via, será que estamos mesmo diante de um Estado de Emergência?”, interrogou-se, na manhã de ontem, um cidadão depois de a muito custo ter alcançado a Avenida Deolinda Rodrigues, em Luanda.
Quando saiu de casa, por volta das 6h45, com destino à Baixa de Luanda, onde trabalha, nada lhe fazia prever encontrar um engarrafamento, a partir do Posto de Abastecimento da Pumangol, nas Bananeiras, zona do Kalawenda, município do Cazenga, porque não é habitual, desde que se decretou o Estado de Emergência, em finais de Março deste ano. Aquele ponto até à passagem de nível do Gamek do comboio do CFL, é separado por apenas um quilómetro, mas Adilson Machado, ao volante da viatura Hiunday i10, levou quase uma hora para chegar àquele trecho e alcançar a Avenida Deolinda Rodrigues.
Sem saber do que se passava lá em frente, muitos taxistas e mototaxistas foram deixando os passageiros e regressavam à procedência, enquanto as pessoas iam caminhando a pé, até à ponte pedonal da Boavista, no Grafanil, para apanhar o transporte, para diversas partes da cidade de Luanda.
Foi a partir dali que o cidadão se apercebeu de que afinal aquela marcha lenta de viaturas, de onde saia, tinha como causa um engarrafamento infernal, sem precedentes, na Avenida Deolinda Rodrigues. Não havia acidente de viação, nem bloqueios montados pela Polícia Nacional, como noutros dias, mas devido à intensidade do trânsito, pelo menos três viaturas dos serviços de emergência hospitalar circulavam em sentido contrário, em direcção a Luanda, afugentando outras que circulavam na direcção certa.
Considerada das mais movimentadas de Luanda, a Avenida Deolinda Rodrigues apresentava ao longo das primeiras horas da manhã, até pelo menos às 8h30, em que o repórter do Jornal de Angola conseguiu desenvencilhar-se do trânsito, o cenário era este: paragens apinhadas de gente, muitos com máscaras faciais, outros sem elas, mas com um denominador comum, o desrespeito ao distanciamento social. Inconformadas com a falta de transportes público, àquela hora da manhã, centenas de pessoas, entre homens, mulheres com crianças às costas e adolescentes caminhavam a pé, em direcção a Luanda, rumo aos seus destinos, enquanto na via os utentes de viaturas circulavam com dificuldades no anda-pára, sem divisar uma causa aparente.
Um taxista, abordado em andamento, disse que as enchentes nas paragens têm a ver com a redução do número de passageiros nas viaturas, por força do alívio das medidas restritivas do Estado de Emergência, que ordena o transporte até 50 por cento da capacidade do veiculo.
Um transeunte que caminhava a pé, com a máscara artesanal feita de tecido africano sobre o queixo, estava no meio de um grupo que ia na mesma direcção, na qual nem todos tinham o artefacto de segurança. À pressa, o homem que aparenta ter 45 anos e suava às estopinhas, disse que preferiu usar “as próprias pernas”, para chegar a tempo, ao Hospital dos Cajueiros, onde tem a mulher internada com um filho menor de cinco anos, porque “os táxis estavam difíceis”. Enquanto Viana ficava para trás, o engarrafamento parecia não ter fim e o número de pessoas a caminhar a pé, em direcção a Luanda, aumentava, tendo reduzido a intensidade após chegar à in- tercepção entre a Avenida dos Comandos, no Cazenga, e o supermercado Shoprite, no Palanca, município do Kilamba Kiaxi.

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